Gostaria de ver a pesquisa mais aprofundada. Tem disponível? Esse texto me trouxe mais dúvidas haha por exemplo, as pessoas foram questionadas se já tiveram que dar/doar algum animal de estimação/filho? Essa relação elas tem com toda e qualquer espécie domesticada? Elas comem carne? Acho que nenhum das questões traria uma resolução em si (mt menos essas duas últimas que aprofundam ainda mais o especismo), mas acho que elas ajudariam a entender essa relação. Outra coisa que gostaria de entender é se usar o termo "mãe de pet" banaliza a problemática social e política das mães ou, ainda, se contribuiu para um aumento da consciência e respeito com seres de outras espécies. Gosto dessa temática haha beijosss e obrigada
Olá! A pesquisa foi publicada em 2018 em formato de livro pela Editora La Salle. Infelizmente não posso compartilhar nenhum arquivo digital da mesma por questões contratuais, e o livro recentemente esgotou na editora. Já entrei em contato com as demais autoras para atualizar a pesquisa, e possivelmente publicar essa nova versão em artigo. Porém, posso responder as suas dúvidas!
O questionário contava com perguntas fechadas e abertas. Todas se relacionavam exclusivamente com animais considerados domésticos (ou “de estimação”, termo que discordo, mas existe), tendo uma variedade considerável de espécies citadas: cachorros, gatos, aves diversas, tartarugas e até um jacaré foi mencionado, apesar de não ser um animal doméstico. Embora eu particularmente tivesse interesse em saber sobre o consumo de carne das participantes, não foi uma pergunta que fez parte do nosso questionário. Nas perguntas abertas, algumas participantes citam o veganismo.
Cabe considerar um viés amostral importante (mencionado no livro), pois o questionário foi divulgado pelas pesquisadoras em suas redes e mídias sociais. Na época o Facebook ainda era bastante relevante, e buscamos divulgar em grupos bem heterogêneos com o objetivo de atingir uma diversidade maior de participantes. Contudo, sabemos que mulheres que se consideram mães de pet (ou que simplesmente gostam muito de animais não humanos) seriam mais propensas a se interessarem na temática e responderem o questionário.
Sobre o termo "mãe de pet" banalizar a luta das mães, foi uma das discussões que resultou da pesquisa, sendo um dos argumentos utilizados por participantes contrárias ao uso do termo. Compreendemos que a expressão funciona como um empréstimo linguístico de uma categoria simbólica presente em nosso sistema de parentesco humano para nomear relações de afeto, cuidado cotidiano e responsabilidade entre espécies diferentes. No entanto, sua utilização é contextual e situada, o que chamei no texto de “campo de afeto”: em espaços institucionais, como entrevistas de emprego por exemplo, essa categoria não possui legitimidade social, já que as demandas materiais e simbólicas associadas à maternidade reconhecida continuam vinculadas à criação de filhos humanos. Jamais existirá igualdade entre “mães de pet” e “mães de humanos”, o que as participantes da nossa pesquisa demonstraram ter completa ciência. Mesmo assim, a disputa pelo termo sempre irá existir, com pessoas contra e a favor. A reflexão que tentamos trazer é justamente destacar o especismo, mostrar que o termo incomoda tanto quem sabe pela forma que a nossa sociedade enxerga os animais não humanos como inferiores. Isso fica evidente analisando as respostas de algumas participantes contrárias ao uso do termo: a ideia que “gente” é mais importante que “bicho”, afirmando ser fácil cuidar de animais (só deixar água e comida), achando que tratamento digno é “humanização”, etc.
Gostaria de ver a pesquisa mais aprofundada. Tem disponível? Esse texto me trouxe mais dúvidas haha por exemplo, as pessoas foram questionadas se já tiveram que dar/doar algum animal de estimação/filho? Essa relação elas tem com toda e qualquer espécie domesticada? Elas comem carne? Acho que nenhum das questões traria uma resolução em si (mt menos essas duas últimas que aprofundam ainda mais o especismo), mas acho que elas ajudariam a entender essa relação. Outra coisa que gostaria de entender é se usar o termo "mãe de pet" banaliza a problemática social e política das mães ou, ainda, se contribuiu para um aumento da consciência e respeito com seres de outras espécies. Gosto dessa temática haha beijosss e obrigada
Olá! A pesquisa foi publicada em 2018 em formato de livro pela Editora La Salle. Infelizmente não posso compartilhar nenhum arquivo digital da mesma por questões contratuais, e o livro recentemente esgotou na editora. Já entrei em contato com as demais autoras para atualizar a pesquisa, e possivelmente publicar essa nova versão em artigo. Porém, posso responder as suas dúvidas!
O questionário contava com perguntas fechadas e abertas. Todas se relacionavam exclusivamente com animais considerados domésticos (ou “de estimação”, termo que discordo, mas existe), tendo uma variedade considerável de espécies citadas: cachorros, gatos, aves diversas, tartarugas e até um jacaré foi mencionado, apesar de não ser um animal doméstico. Embora eu particularmente tivesse interesse em saber sobre o consumo de carne das participantes, não foi uma pergunta que fez parte do nosso questionário. Nas perguntas abertas, algumas participantes citam o veganismo.
Cabe considerar um viés amostral importante (mencionado no livro), pois o questionário foi divulgado pelas pesquisadoras em suas redes e mídias sociais. Na época o Facebook ainda era bastante relevante, e buscamos divulgar em grupos bem heterogêneos com o objetivo de atingir uma diversidade maior de participantes. Contudo, sabemos que mulheres que se consideram mães de pet (ou que simplesmente gostam muito de animais não humanos) seriam mais propensas a se interessarem na temática e responderem o questionário.
Sobre o termo "mãe de pet" banalizar a luta das mães, foi uma das discussões que resultou da pesquisa, sendo um dos argumentos utilizados por participantes contrárias ao uso do termo. Compreendemos que a expressão funciona como um empréstimo linguístico de uma categoria simbólica presente em nosso sistema de parentesco humano para nomear relações de afeto, cuidado cotidiano e responsabilidade entre espécies diferentes. No entanto, sua utilização é contextual e situada, o que chamei no texto de “campo de afeto”: em espaços institucionais, como entrevistas de emprego por exemplo, essa categoria não possui legitimidade social, já que as demandas materiais e simbólicas associadas à maternidade reconhecida continuam vinculadas à criação de filhos humanos. Jamais existirá igualdade entre “mães de pet” e “mães de humanos”, o que as participantes da nossa pesquisa demonstraram ter completa ciência. Mesmo assim, a disputa pelo termo sempre irá existir, com pessoas contra e a favor. A reflexão que tentamos trazer é justamente destacar o especismo, mostrar que o termo incomoda tanto quem sabe pela forma que a nossa sociedade enxerga os animais não humanos como inferiores. Isso fica evidente analisando as respostas de algumas participantes contrárias ao uso do termo: a ideia que “gente” é mais importante que “bicho”, afirmando ser fácil cuidar de animais (só deixar água e comida), achando que tratamento digno é “humanização”, etc.
Espero ter esclarecido as suas dúvidas! :)